Professor de viver
De uma maneira talvez não comum descobri que você é bem o tipo de pessoa que eu sempre quis que estivesse ao meu lado. Graça a talvez um ,Deus que eu acredito que de alguma forma exista, não foi tarde demais. Poderia ter te perdido sem te conhecer de verdade. Sempre julguei ser boa em desvendar os lados ocultos das personalidades das pessoas e com todas outras até hoje eu fui, menos contigo que era quem mais me importava.
O teu jeito despreocupado com o futuro, não... isso tá errado, despreocupado com o que não está em seu coração e em seus desejos, o teu jeito desleixado de viver, o teu jeito “curtidor”, tudo isso camuflavam a tua maturidade, o teu senso de responsabilidade, mas uma coisa que sempre foi claramente presente e que eu não entendia foi uma visão muito real e segura de mundo que você tem. Eu nunca a tive, sempre vivi nos mundos que eu imaginava que eram esse, por isso me espantava quando as pessoas não agiam da maneira que eu imaginava que agiriam, por isso sempre me espantei em ver que as pessoas não eram como eu era e como imaginava que eram.
Eu sempre me imaginava sendo uma personagem dos livros que eu leio, vivia, aliás vivo, imaginando “ historinhas”, tipo filminhos na minha mente de historias que eu viva sendo baseadas nos livros e nas minhas personagens. Sempre admirei as que eram impetuosas, corajosas, ousadas, as que sabiam viver e de tanto admirá-las queria ser assim e imaginava que era. Mas que doce ilusão destruída beneficamente por tua personalidade que me ensinou a viver. Me mostrou o mundo real em que eu vivo e que me trouxe a ele. Que me fez ver que ao meu modo, com a minha personalidade, eu podia ser uma personagem de uma historia, da minha historia, agora ligada a tua ( muito obrigada por isso).
Talvez até hoje eu tenha vivido como uma Macabéa, personagem que eu sempre detestei e sempre achei imbecil, boba, cega por não ver a realidade do mundo em que vivia até morrer iludida. É acho agora tão engraçado eu criticar as personagens e não me ver como realmente era... heheheh que ridícula ironia. A sinceridade de alguma personagens nos momentos em que não exitam em machucar os outros com palavras apenas para não se machucarem ou por estarem já muito machucadas sempre me assustou muito. Acho que é por que sempre tive medo dos outros e sempre vivi uma existência a margem de todas as outras pessoas.
Você me ensinou! Você me mostrou quem eu realmente fui até hoje e me amou por isso não foi? E você viu que eu tinha que enxergar, que eu tinha que mudar, pois eu tinha que viver no mundo de todos e não nos meus mundos imaginários como foi ate hoje! E o meu amor cego que tinha e que intimamente me fazia sentir uma menina boba, a mesma menina boba de 2001 apenas achando que era a mais sábia das criaturas.
Fico surpresa como eu sempre soube tão bem analisar os outros, aconselhar os outros e nunca tinha atinado para mim mesma. Acho que sempre vivi sob máscaras que eu mesma criei. Com algumas pessoas em alguns momentos eu conseguia ser espontânea e era muito boba, a idiotinha mesmo. Eu que me sentia tão onisciente, tão sábia, tão dona de mim mesma e de minhas escolhas vi que de mundo eu não sabia nada porque nunca vivi nele e até essa minha segurança toda, essa minha maturidade toda era apenas mais uma de minhas inúmeras ilusões sobre mim mesmaCom você fui descobrindo que nunca tinha crescido a mim mesma. Cresci sim, a parte que me era cobrada, uma das mascaras, ou talvez muitas que eu usava integralmente quando não estava sozinha com minha mente muito confusa, cega e infantil que lá no fundo sabia que tinha algo errado, mas que nunca se movia para modificar e que não conseguia nunca enxergar. Talvez por achar que sabia demais e que era “boa” demais. Sempre me achei a filha perfeita, a namorada perfeita, a amiga perfeita e por aí segue... Você me fez ver o quão medíocre eu era por não ser, não ver e ainda “me achar”. Claro que sempre tive os meus defeitos e que sempre soube que os tinha, mas tomava cuidado para escondê-los de todos e pelo menos aparentemente ser essa “perfeição” toda.
Por isso talvez todos me diziam que sou “fechada” que não conto nada pra ninguém, que não sei compartilhar a minha vida, os meus sentimentos, pensamentos... e ainda culpo a minha mãe de não se interessar por mim. Talvez eu nunca tenha dado espaço a ela de se aproximar e de manter comigo a relação que eu considero ideal entre mãe e filha, e também tenho consciência de que a personalidade dela não daria a isso, mas talvez tudo não fosse tão desastroso quanto foi.
Falo assim porque tenho muitas mágoas e muitos espinhos no peito, e ao contrario do pássaro do livro eu ainda nem comecei a cantar e ainda não sei que musica é a minha, ainda nem sei que pássaro sou, ou mesmo se tenho o direito de ser pássaro. Eu soube desde o momento em que começamos que eu não podia me afastar de você, que eu tinha muito a te ensinar ( mais uma vez a minha prepotência) e na verdade era você que tinha TUDO a me ensinar. Tudo a respeito de vida, da existência de mundo. Eu te devo a minha vida! Pode-se assim dizer porque não considero vida o que foi até os meus 17 anos. E talvez não o seja daqui em diante, mas pelo menos já tomei consciência dos fatos e atos.
O que sempre foi imaginado por mim me revela uma única certeza que sempre tive e que esta sei que nunca foi ilusão: Riachão, viver com minha família, ter essa vida que se tem aqui nunca foi meu sonho e nunca foi o meu lugar e sinto que minha hora está chegando. Sinto uma necessidade cada vez maior de sair daqui, de viver só comigo para talvez me descobrir, para descobrir o mundo e as existências, as formas de vida e inventar a minha, inventar não, produzir meu próprio modo de viver. Sinto que sou um ser do mundo que preciso sair e viver, ver o mundo, mas não mais como uma espectadora, como uma parte integrante dele. Varias vezes eu escrevi sobre querer sair por aí pelo mundo com uma mochila nas costas e sem destino vivendo. Isso eu sei que é ilusão, mas de algum modo eu tenho que conseguir.
Não ache que você me ensinar a viver me fez ter vontade de ficar longe de ti. Pelo amor de Deus nunca pense que eu seria capaz disso. Eu jamais saberia ficar sem você, sem te ver, te abraçar... você é a mais importante e melhor coisa que já me aconteceu e eu TE AMO mais que eu achava que seria capaz de amar alguém algum dia, esse é o amor que eu sempre imaginei e invejei das personagens. Mesmo com objetivos e pensamentos diferentes sinto que somos um só e que somo indivisíveis. Façam o que quiserem, tentem o que quiserem, você é meu e eu sou tua e nada muda isso!
Muito obrigada por representar tudo isso em minha “vida”. Muito obrigada por estar em minha vida, muito obrigada por me ensinar a viver e hoje me permitir ser radiante de felicidade pelo menos nos momentos em que estou contigo! Te amo muito e esse amor é eterno!
Thaíse Glória de Oliveira Carneiro
Riachão do Jacuípe - Bahia
23/01/2007 – 05:15 a.m.
SENHORA DO DESTINO...
Pelo menos do meu!
Sabe quando tudo e todos conspiram contra os seus desejos? Sabe quando parece que o destino faz tudo dar errado de propósito? É assim que tem sido a minha vida pelo menos no ultimo 1 ano 1 mês e 17 dias. O fato é que eu nunca tinha notado como as pessoas interferiam na minha vida, nas minhas escolhas, nas minhas vontades... e como eu me anulava pela vontade de todos.
Muitas vezes eu escrevi que queria deixar sair de dentro de mim a Thaíse verdadeira não foi? Pois, eu descobrir que o problema disso, de eu dizer e saber que não era eu mesma era que eu sempre fui muito “boazinha”, sempre fiz tudo que todo mundo queria, nunca disse uma palavra que ofendesse ninguém ( mesmo que muitas vezes, quase todas, eu ficasse ofendida), nunca disse a ninguém o que eu sentia, o que eu queria, o que eu gostava, o que tava com vontade de fazer... sempre fui sendo levada pelos outros, e não pela vida como me iludia achando que era.
E eu notei que eu era muito infeliz achando que era feliz vivendo como telespectadora de minha própria vida. Descobrir que o meu maior problema era o medo... medo de fazer o que queria, medo de decepcionar, medo de me arriscar, medo de magoar os outros, medo de não conseguir ( mesmo que eu não soubesse o quê), medo de ser criticada, medo do mundo, medo de viver! Tenho medo de tomar a iniciativa, medo de sofrer, acho que só não tenho medo de morrer, talvez porque acredite que a morte é só o fim da tarefa e que com ela terei a chance de me melhorar para uma outra existência, como se morre fosse o termino de um trabalho muito difícil do qual você estará livre e poderá pesar o seu desempenho.
Daí, fatos novos aconteceram no dia 04 de dezembro de 2005 e fatos que inicialmente não faria a menor diferença em nada, acabaram por ser a porta de saída de mim mesma. Quando eu o conheci da maneira mais inusitada que eu poderia imaginar não podia prever nem esperar fosse ser tudo isso que representou na minha vida. Sabe aquela pessoa que te ensina a viver? Pois é, eu achei uma... Achei uma pessoa que conversava comigo sem me achar louca, sem me achar retraída e que me mostrava os meus erros de uma forma que não me destruía, mas me incentivava a corrigir, que me ajudava quando eu precisava, que me dava o ombro pra chorar e me abraçava dizendo “ fica calma que eu to aqui e nunca te deixarei só”. Então por conta dessa pessoa eu me motivei e tive coragem de reagir a minha própria inércia.
De um momento para o outro a “ Thay” começou a dizer o que pensava, o que sentia, a impor os seus desejos, a tomar as rédeas da própria vida. Começou a enfrentar e lutar por si mesma e as pessoas se assustaram com esse novo “ monstrinho” que havia surgido após o aparecimento Dele. E então o que seria mais lógico? A culpa é toda Dele!!!!! E armem o circo que o tribunal da inquisição vai agir. “Ele é menino”, “você ta nova pra se prender a alguém”, “ eita que essa história já tá demorando tempo demais não é não?” e outras questões completamente ilógicas de serem feitas caso os interrogadores não fossem completamente “Senhores dos Destinos Alheios”. Acham que simplesmente podem decidir pelas pessoas o que é melhor para elas, acha que sabem o que as fará mais felizes, porém não passam de criaturas que não percebem que as suas próprias vidas estão “falidas” que não conseguem administrá-las e resolverem, nem ao menos perceberem, os seus problemas.
E os inquisidores decidem, decretam e nem ouvem os seus réus, não se importam com os sentimentos. Usam a desculpa de “ vai ser melhor para o seu futuro”, mas o “futuro brilhante” que querem para mim talvez não seja o que eu quero. E em prol do meu sonhado ( mais por eles que por mim ) diploma de medicina, eu devo me afastar Dele e usam dos artifícios mais ardiloso para me iludir e fazer com que eu tome as atitudes que eles querem sem perceber.
As “Senhoras dos Destinos”, não conseguiram ainda me domar, ao invés, conseguiram me fazer despertar e enfim entender o motivo de até o presente momento eu não conseguir ser feliz, não conseguir chegar aonde eu quero, e Ele, me dá coragem para me levantar e lutar pela minha própria vida com as armas que eu tiver forças para usar, e essa força os medos ,que agora eu não tenho mais, desbloquearam e enfim Thay está se tornando Thaíse!
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